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Dono da indústria de calçados Tenny Wee vai embora e manda demitir 400 trabalhadores em Franca

26/08/2014

Empresa atrasava pagamentos e não depositava regularmente o FGTS

Escrito por: Vanessa Ramos/CUT-SP

Os trabalhadores da indústria de calçados Tenny Wee, da cidade de Franca, a 416 km de São Paulo, iniciaram uma vigília nesta segunda-feira (25) e permanecerão diante da porta da empresa até que a Justiça decida sobre os bens da fábrica e os direitos trabalhistas.   

Na última sexta-feira (21), cerca de 400 funcionários foram comunicados sobre a demissão em massa e tiveram que dar baixa na carteira de trabalho. Eles reclamavam há dias da ausência do proprietário Alexandre Henrique Ferreira.

Os protestos ocorriam desde a quarta-feira (20) por conta do atraso do pagamento quinzenal, dos salários e a falta de depósito regular do Fundo de Garantia.

Questão judicial

A dirigente sindical, Maria Aparecida de Oliveira Martins, aponta a importância do apoio da CUT, por meio da oposição operária, para ampliar a pressão sobre o empresário. “Somos solidários na questão das demissões e no encaminhamento para orientação jurídica como resposta aos funcionários da empresa que entraram em contato conosco na semana passada, quando estavam em paralisação”, explicou.  

Trabalhador na indústria de calçado e liderança da oposição sindical, Paulo Afonso, aponta que a unidade começou a partir de assembleias na porta da fábrica organizadas pela categoria. “Entendemos, como oposição, que existe um vazio na ação sindical no município e nós, cutistas, acreditamos que é preciso que os trabalhadores estejam unidos neste momento para evitar retrocessos”.

Secretário de Organização Sindical da CUT São Paulo, Marcelo Fiorio, repudia o desrespeito do empresariado. “O patrão desaparece, manda demitir e os trabalhadores ficam totalmente desprotegidos? Os problemas enfrentados pela categoria não são de hoje, ou seja, isso poderia ter sido evitado se existisse um sindicato combativo no município, o que não acontece. É um absurdo vermos a quantidade de trabalhadores que em sua maioria são chefes de família no olho da rua. Indiretamente sabemos que isso vai afetar mais de duas mil pessoas”.

Falta transparência

Maria Aparecida conta que um levantamento de dados sobre a empresa apresentou informações desencontradas. “Descobrimos mais de doze razões sociais diferentes que funcionavam no mesmo barracão e em nome de outras pessoas. Apenas uma empresa chamada ‘Bom Passo’ estava no nome do atual patrão, Alexandre Henrique Ferreira, como sócio, mas os trabalhadores nos garantiram que as demais empresas eram controladas por ele também”.

A secretaria de Organização Sindical da CUT São Paulo teve acesso exclusivo a carteiras de trabalho de funcionários da Tenny Wee. No carimbo da contratação, cujo patrão era o mesmo, constava o nome das empresas Pro-Tênis Industrialização de Cabedais para Terceiros Franca Ltda, Fram Tamborello Calçados Ltda e Evolution Indústria de Cabedais para Terceiros Ltda.

Mulheres trabalhadoras

As mulheres representam cerca de 70% das trabalhadoras da Tenny Wee, afirma Maria Aparecida.

A despontadeira, F. trabalhou na empresa nos últimos dois anos. Ela relata que a partir das 270 demissões de funcionários no ano passado foi que começou a desaceleração da produção na fábrica. “Os atrasos salariais se acentuaram a partir de junho deste ano e já estávamos preocupados porque as esteiras chegavam a ficar dias parados. Não tinha abastecimento de serviço e ficávamos esperando chegar materiais dentro da fábrica. E ninguém nos falava nada.”.

Os trabalhadores começaram a pressionar até que conseguiram uma reunião com o patrão, relata a ex-funcionária. Segundo ela, o patrão não esclarecia os problemas enfrentados pela categoria. “Perguntei a ele se poderia pagar no final desse ano o FGTS que não era regularmente depositado e ele disse que não teria possibilidade nenhuma de depositar nem sequer parcelado”.

F. é chefe de família e vive só com sua filha. “O meu salário é o que garantia a nossa sobrevivência. As minhas contas estão vencendo, o que fazer? A empresa não foi transparente e me sinto muito desrespeitada. Todos nos sentimos”.  

A trabalhadora estava contratada de agosto de 2012 até o momento pela empresa Tigra Indústria e Comércio de Calçados Ltda-EPP. Mas, mesmo tendo trabalhado no mesmo espaço físico anos anteriores e com o mesmo dono, já havia sido contratada e desligada pelas empresas Pro-Tênis Industrialização de Cabedais para Terceiros Franca Ltda e Exx´s Serviços de Pesponto em Calçados Ltda-ME. “Alexandre era o mesmo patrão de todas elas”, garante.  

A despontadeira Cleonice Moreira de Souza trabalhou de setembro de 2009 até o momento. “Tive atraso no meu salário e também não recebi o Fundo de Garantia. Como pagar aluguel e comida? Isso porque eu sou casada, imagina quem é mãe solteira e não tem com quem contar?”, questiona.

Cleonice afirma que se sente como se estivesse num pesadelo. “Olho para a minha filha de 10 meses e me sinto revoltada. Nos tiraram de lá com uma mão na frente e a outra atrás”.

Empresários respondem

O Sindicato da Indústria de Calçados de Franca, patronal, responde em nota que a conjuntura econômica do país reflete a crise do empresariado local. “A situação econômica, sobretudo da Indústria de Franca sofreu uma série de intempéries, dentre eles a entrada facilitada de produtos estrangeiros, competindo com o nacional e com preços significativamente mais baixos, citamos os chineses”.

Segundo a entidade, os eventos ocorridos no país, como a Copa do Mundo, causou retração na economia. “Isso afetou o setor industrial como um todo”.

Maria Aparecida diz que a afirmação é equivocada. “A recuperação judicial da empresa se deu no final de 2011, 2012 e no começo de 2013, portanto, anterior à Copa do Mundo. Essa justificativa é conveniente ao empresariado, mas sabemos que a dívida da empresa é de anos”.

Falta de mérito

A fábrica Tenny Wee de Calçados de Franca, no interior de São Paulo, recebeu há seis anos o prêmio mérito de reconhecimento da Associação do Comércio e Indústria de Franca, como prova de retribuição do empresariado ao município.

Afonso reforça que há pelo menos uns 10 anos a empresa tem descumprindo direitos. “Sabemos por relatos dos trabalhadores que o ambiente de trabalho piorou nos últimos anos. Existem funcionários afastados por acidente de trabalho e muitos foram afetados por Lesão por Acidentes Repetitivos (LER)”, relata. 

Para ele, o prêmio de mérito não retrata a realidade vivida dentro da empresa pelos funcionários. “Elas são premiadas por mérito econômico e empresarial e não porque os trabalhadores são bem tratados e têm as condições de trabalho respeitadas”.

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