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Seminário Internacional na Argentina reafirma: “Soberania ou abutres”

22/08/2014

“Respondemos com unidade e mobilização aos ataques desses vampiros do capital financeiro”, afirmou João Felicio, presidente da CSI, em Buenos Aires

Escrito por: Leonardo Wexell Severo, de Buenos Aires

João Antonio Felicio, presidente da Confederação SIndical Internacional (CSI)O Seminário Internacional “O contexto político mundial, a América Latina, o neoliberalismo e os novos cenários a partir da ação dos fundos abutres” reuniu na quinta-feira (21), em Buenos Aires, lideranças sindicais de 15 centrais de todo o mundo.  
De acordo com Hugo Yasquy, presidente da Central de Trabalhadores da Argentina, entidade promotora do evento, “esta foi a primeira manifestação de apoio ao governo e ao povo argentino contra a especulação, pela libertação das garras do imperialismo”.
Painelista do Seminário, o professor Emir Sader saudou “a heróica negociação e o exemplo do povo argentino, que se enfrenta contra a hegemonia imperial do capitalismo financeiro internacional”. “Nosso inimigo central é o capital especulativo”, enfatizou Emir, denunciando que os abutres utilizam os “paraísos fiscais, verdadeiros prostíbulos para o mercado de drogas e de armas”, para se manter à margem da lei. “Por isso a Argentina é um mau exemplo para países como a Grécia e a Espanha, que caíram na armadilha do Fundo Monetário Internacional (FMI) e passaram a privatizar o patrimônio e a expropriar os direitos dos trabalhadores”, disse.
Antônio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT“Respondemos com unidade e mobilização aos ataques desses vampiros do capital financeiro. A luta da Argentina contra os fundos abutres representa a resistência dos povos de todo o mundo, que não aceitam ser saqueados para enriquecer cada vez mais uma ínfima minoria”, declarou o presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Antonio Felicio. A irracionalidade desta lógica, apontou, fica clara quando “vemos que apenas 1% recebe 65 vezes mais do que a metade da população mundial”.
Submetidos à cartilha neoliberal, denunciou João Felicio, “muitos governos, em aliança com os empregadores, fazem reformas para atacar e retirar direitos, agudizando a concentração de renda e de poder”. Exemplo disso, “no grande império, os Estados Unidos, em que a diferença salarial entre os maiores e menores salários era de 30 vezes há 20 anos, hoje é de 300 vezes”.
MANIPULAÇÃO DA MÍDIA
O presidente da CSI também atacou o caráter manipulador da grande mídia, “que mente abertamente em favor do capital internacional, respaldando ações como a do juiz Thomas Griesa, indicado pelo ex-presidente Richard Nixon, contra a soberania e o desenvolvimento das nações”. Entre outros abusos, João Felicio denunciou casos como o da Zâmbia - país africano cuja expectativa de vida é de 39 anos - que acelerou da extrema pobreza à miséria desesperada quando o mercado mundial de cobre foi à bancarrota. “Houve um momento em que o país devia US$ 29,6 milhões em tratores para a Romênia, que também em crise queria receber o valor emergencialmente por US$ 4 milhões. Então  surgiu um abutre chamado Goldfinger, cujo nome real é Michael Francias Sheehan, para pagar os US$ 4 milhões e ficar com o direito de receber os US$ 29,6 milhões da Zâmbia.  Este é o espírito dos abutres: enriquecer com a desgraça alheia”, acrescentou.
Leão, presidente da CNTE: Manifestando a “mais ampla e efetiva solidariedade brasileira contra os fundos abutres”, o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, frisou que “o ataque sofrido pela Argentina é feito contra todos os que não se dobram à ingerência externa”. “Nós estamos com vocês”, enfatizou.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Roberto Franklin de Leão, declarou que chegou o momento de “decisões firmes, de enfrentamento à exploração das altas finanças”. “Chega de dominação, de colonização, de intromissão. Chega de abutres”, ressaltou.
Entre outros depoimentos sobre a magnitude da devastação causada pelos fundos especulativos, o dirigente da Federação dos Servidores Públicos da Grécia, Paulos Antonopoulos citou “o desemprego de 27%, que já chega a 62% entre os jovens, profunda regressão salarial e de direitos, além da privatização dos portos”, entre outras medidas para atender a Troika (Banco Mundial, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional".
Ao final do evento, Hugo Yasky entregou ao ministro de economia da Argentina, Axel Kicillof, uma declaração firmada por todos os delegados internacionais em apoio à luta contra os fundos abutres.
 

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