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Duratex não concede aumento salarial, mas usa helicóptero e PM de São Paulo para impedir greve

22/08/2014

Em Botucatu, empresa põe fim às negociações, adota práticas antissindicais e mantêm trabalhadores/as em cárcere privado para impedir paralisação

Escrito por: Flaviana Serafim/CUT-SP

Práticas antissindicais, truculência e assédio moral –Aumento real de 1,5% não concedido pela empresa resultou em impasse nas negociações são as estratégias adotadas nos últimos dias pela unidade da Duratex em Botucatu, a 235 km da capital paulista, na tentativa de pôr fim à greve dos trabalhadores/as por reajuste salarial.

A empresa, fabricante de produtos de madeira, louças e metais sanitários, destinados à indústria de móveis e à construção civil, faz parte da Itaúsa - Investimentos Itaú S.A, holding entre os maiores grupos privados do país.

No domingo (17), a categoria cruzou os braços e, para garantir o cumprimento dos turnos que se revezam nas 24 horas de funcionamento, a Duratex fretou helicópteros para transportar os trabalhadores/as; fez ameaças de demissão por meio de telegramas e de ligações à família dos funcionários/as; obrigou um grupo de cerca de 20 pessoas a permanecer na unidade, dormindo em colchões improvisados dentro das instalações da fábrica.

“Conseguimos inibir o uso do aeroporto da cidade, mas a empresa parou o jogo de futebol que ocorreria no domingo para que o helicóptero pousasse no campo da Associação Atlética Ferroviária”, conta Anderson Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e Mobiliário de Botucatu e Região - (Sinticom Botucatu).

A greve foi deflagrada diante da intransigência da empresa, que encerrou as negociações com o sindicato no último 6 de agosto. O principal impasse é o reajuste salarial de 6,05% referente apenas ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) dos últimos doze meses, sem o aumento real de 1,5% reivindicado pela categoria. Após assembleia no dia 11, a Duratex foi notificada sobre a possibilidade de greve, mas não reabriu o diálogo.

“A Duratex mobilizou todo o staff das chefias para pressionar, inclusive ligando para as esposas, dizendo que os maridos seriam demitidos, que iria faltar comida em casa e já orientaram sobre o local do helicóptero para buscar os funcionários. Como é uma cidade pequena, está suscetível a esse tipo de pressão”, relata Claudio da Silva Gomes, presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção e de Madeira filiados à CUT (Conticom).

Polícia Militar fazendo segurança privada na porta da empresa, denunciam sindicalistasTruculência - No início da semana, o Sinticom Botucatu tentou rearticular o movimento grevista, mas a empresa mantém a retaliação truculenta a qualquer tentativa de ação sindical, inclusive com a presença da Polícia Militar do governo estadual paulista nos portões da fábrica e dentro dos ônibus fretados, impelindo os funcionários a entrar na empresa. “A PM foi fazer guarda patrimonial na porta da Duratex, fazendo o serviço do capitalismo para repressão dos trabalhadores”, critica o presidente da Conticom.

O Sinticom Botucatu registrou um Boletim de Ocorrência (BO) denunciando todas as irregularidades da empresa. Porém, no BO o caso foi caracterizado somente como crime contra a organização do trabalho, sem considerar o cárcere privado dos trabalhadores/as obrigados a dormir dentro da fábrica.

As estratégias de constrangimento são semelhantes às adotadas por outras empresas do grupo Itaúsa, como é o caso do Banco Itaú, onde a categoria também sofre assédio moral para que não faça greve – gestores dos bancos ligam para convocar os funcionários ou percorrem agências acompanhados de advogados, ameaçando e pressionando os bancários.

Outro lado – Apesar de toda a celeuma provocada com o encerramento das negociações, em notícia publicada no portal JCNet, de Bauru, a Duratex informa que está aberta às negociações, “seguindo premissas da transparência e da boa governança, fornecendo, constantemente, informações para colaboradores e comunidade”.

Sobre o fretamento do helicóptero, alegou que a medida foi necessária diante da “complexidade do processo produtivo” e esclareceu, ainda, que mantém um relacionamento “sadio” com o Sinticom Botucatu.

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